INFLUÊNCIAS

 

Muitas são as influências da banda. Vamos tentar falar um pouco sobre algumas…

Quinteto Violado

(texto retirado de http://www.dicionariompb.com.br)

Antonio Alves foi químico e formou-se maestro arranjador; Marcelo Melo deixou a agronomia para dedicar-se ao violão e passou uma temporada estudando na França, onde acompanhou alguns nomes da música francesa como Françoise Hardy; Luciano Pimentel é baterista e estudou na Escola de Belas-Artes do Recife; Fernando Filizola foi administrador de empresas, integrou um conjunto pop e trocou a guitarra elétrica pela viola sertaneja de dez cordas e Alexandre Johnson passou a integrar o grupo com apenas 14 anos, considerado flautista de grande futuro. O gupo faz um trabalho em que usa instrumentos comuns, flauta transversal, viola sertaneja, violão, bateria e baixo acústico, por vezes acrescido de instrumentos primitivos, apito de arremedo, matraca, triângulo, ganzá, e flauta de latão. O quinteto foi formado em 1970, sem ainda ter o nome que o consagrou. No mesmo ano, apresentou seu primeiro show na Faculdade de Filosofia da Universidade Federal de Pernambuco. Foi descoberto por Gilberto Gil em Pernambuco, que o apresentou ao produtor Roberto Santana e logo foi visto por diversos críticos como um novo caminho para a MPB. Em 1971, eles fizeram um show no teatro da Nova Jerusalém, em Fazenda Nova, PE, quando foram chamados de “Os violados”, nascendo daí o nome do grupo. Em 1972, fizeram uma rápida temporada em uma feira industrial em São Paulo e exibiram-se nas TVs Tupi e Cultura. No mesmo ano lançaram pela Philips o primeiro disco, “Quinteto Violado”, onde interpretaram os clássicos “Asa branca”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, e “Vozes da seca”, de Luiz Gonzaga e ZéDantas. Interpretaram também “Baião da garoa”, de Luiz Gonzaga e Hervê Cordovil, “Acauã”, de Zé Dantas, “Agreste”, de Fernando Filizola e Sandro, e “Imagens do Recife”, de Deda, Marcelo Melo e Toinho Alves, entre outras. Ainda em 1972, realizaram temporada na boate Monsieur Pujol e no restaurante Di Mônaco, no Rio de Janeiro, e apresentaram-se também no Teatro Vila Velha em Salvador na Bahia. Apresentaram-se também no show “O anjo guerreiro contra as baronesas” no Recife em Pernambuco. Em 1973, lançaram o LP “Berra boi”, interpretando entre outras as composições “Vaquejada”, de Toinho Alves, Luciano Pimentel e Marcelo Melo, “Pipoquina”, de Sebastião Biano, “Forró do Dominguinhos”, de Dominguinhos e “Cavalo-marinho”, do folclore pernambucano com adaptação de Luciano Pimentel e Fernando Filizola. No mesmo ano, participaram da gravação da série de quatro discos dirigida por Marcus Pereira “Música popular do Nordeste”, interpretando diversas composições, entre as quais “Bambelô”, de A . Alvez, “Cavalo cavalão”, de A . Alves, “Ciranda da Zona da Mata”, de A . Alves, “Samba de roda”, “Entrada do boi de Reis”, “Evocação nº 1”, de Nelson Ferreira e “Hino dos batutas de São José”, de João Santiago, entre outras composições representativas dos diversos ritmos nordestinos. Por este trabalho receberam o Prêmio Noel Rosa e também o Prêmio Estácio de Sá, este último outorgado pelo Museu da Imagem e do Som, MIS, do Rio de Janeiro. Em 1974, lançaram o disco “A feira”, onde cantaram, entre outras, “Disparada”, de Geraldo Vandré e Théo, “Assum preto”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, “Procissão”, de Gilberto Gil e “Ave Maria”, de Caetano Veloso, entre outras. Montaram ainda o show “A feira”, onde teve importante atração inicial a cantora Elba Ramalho e começaram uma série de apresentações em universidades brasileiras interpretando músicas nordestinas. Em 1975, montaram o espetáculo “Folguedo” e apresentaram-se no adro do Mosteiro de São Bento em Olinda, Pernambuco. No mesmo período participaram do Midem na França. Tomaram parte também do Encontro Latino-Americano de Turismo, em Trujillo no Peru. Em 1976, lançaram o disco “A missa do vaqueiro” da obra de Janduhi Filizola. Em 1977 e 1978, realizaram 97 concertos-aula, destinados a alunos da rede pública de ensino de Pernambuco. Também em 1977, lançaram o disco “Antologia do baião”, onde interpretaram uma série de clássicos desse gênero musical nordestino, entre os quais “Asa branca”, com vocal de Luiz Gonzaga, “Sebastiana”, de Rosil Cavalcanti, “Sodade, meu bem, sodade”, de Zé do Norte, “Xote das meninas”, de Zé Dantas e Luiz Gonzaga, “Só quero um xodó”, de Dominguinhos e Anastácia e “Pisa na fulô”, de João do Vale, Ernesto Pires e Silveira Jr. Em 1978, lançaram o disco “Até a Amazônia”, onde interpretaram, entre outras composições, três parcerias de Toinho Alves e o poeta João de Jesus Paes Loureiro, “Mestre Vitalino”, “Anúncios classificados” e “História luminosa e triste de Cobra Norato”. Em 1979, foi a vez do lançamento do disco “Pilogamia do baião”, cujo título é inspirado em verso do poeta Zé Limeira, conhecido como o poeta do absurdo. Neste disco interpretaram novamente grandes clássicos, não apenas da música nordestina, mas da música popular brasileira, como “Numa sala de reboco”, de José Marcolino e Luiz Gonzaga, “Um sonho”, de Gilberto Gil, “Catirina”, de Jararaca e “Kalu”, de Humberto Teixeira, entre outras. Nos anos 1990, voltaram a realizar apresentações contando com a participação da cantora Vanja Orico, com a qual chegaram a gravar um CD. J’arealizzaram shows em Lisboa, Roma, Berlim, Viena e Paris. Gravaram discos na Alemanha, Japão e Cabo Verde. Em 1997, o grupo lançou o disco “Quinteto canta Vandré”, interpretando doze composições de Geraldo Vandré, incluindo a inédita “República brasileira”, com letra em espanhol e em português, passada pelo próprio Vandré nos camatins durante um dos shows do grupo. Em 1998, em comemoração aos 25 anos de atividades do grupo, foi lançado o livro “Bodas de Frevo: A História do Quinteto Violado”, do jornalista Gilvandro Filho. Em 2002, contando com uma nova formação, da qual apenas Toinho Alves e Marcelo Melo fazem parte do grupo original, lançaram o CD “Visão futurísticado passado” no qual fizeram um apanhado dos 30 anos de carreira. Contando com Ciano, de 21 anos, Roberto de Medeiros, de 16 e Dudu Alves de 11 como novos integrantes, realizaram show de lançamento do CD no SESC Tijuca, no Rio de Janeiro, contando com as participações especiais do Bale Brasílica e do Trio Matulão. O show já havia sido apresentado um pouco antes no Teatro do Parque no Recife em comemoração aos 30 anos do grupo.

Em abril de 2005, o grupo gravou seu primeiro DVD, no SESC Mariana, recebendo, entre outros, convidados como Chico César, Geraldo Azevedo, Dominguinhos e Pedro Salustiano. O DVD mostra 24 músicas, entre elas “Pau de arara” de Guio de Moraes e Luiz Gonzaga, “Canção da despedida”, de Geraldo Vandré, “Nego forro”, de Chico César, “Pimenta na Brasa”, de Mestre Salu, além de composições do próprio grupo, como “Cavalo marinho”, “Sou Toinho” e “Vou amar”. O título “5 Peba na pimenta”, foi inspirado num clássico baião de João do Vale. Em 2009, o grupo apresentou no Teatro Nelson Rodrigues, no Rio de Janeiro, o show “Quinteto canta Vandré”, no qual canta obras do compositor Geraldo Vandré, por sinal recomendado e apresentado ao grupo pela cantora Vanja Orico.

Luiz Gonzaga

(texto retirado de http://www.raimundofagner.com.br)

Cantador e sanfoneiro, filho de Januário José dos Santos e Ana Batista de Jesus, nascido no dia 13 de dezembro de 1912, Luiz Gonzaga Nascimento passou a infância na fazenda Caiçara, três léguas do município de Exu (cidade situada a 603 quilômetros de Recife, com pouco mais de 30 mil habitantes), no sertão pernambucano ajudando o pai a consertar sanfonas ou trabalhando na roça. Aos dezessete anos comprou uma harmônica e começou a se aperfeiçoar. Pensou em casar com Nazinha, filha de Raimundo Delgado, homem rico da região. Não consentiram e Luiz acabou levando uma surra de Dona Ana. Humilhado, fugiu para o Crato e de lá para Fortaleza. Em 1930 alistou-se no Exército onde passou dez anos. Deu baixa e foi aportar no Rio de Janeiro onde passou a se apresentar de sanfona nos cabarés da Lapa, músicas de encomenda, Augusto Calheiros e coisas parecidas. O resto é história.

Luiz Gonzaga tem uma discografia invejável e inexata. Fala-se em quase 200 títulos lançados, entre discos de 78 rotações, elepês e compactos, 1000 músicas, muitas histórias e parceiros desde 1941, quando gravou dois elepês instrumentais em 78 rpm – Véspera de São João (com Francisco Reis), Numa Serenata (Luiz Gonzaga), Saudades de São João Del Rei (Simão Jandi), Vira e Mexe (Luiz Gonzaga e Miguel Lima), para a gravadora RCA Victor. Depois vieram Mula Preta, o grande sucesso do ano de 1943 e Dança Mariquinha (primeira gravação de Luiz Gonzaga como cantor e interpretando a segunda parceria com Miguel Lima). Em 1945, uma outra parceria com Miguel Lima – Dezessete e Setecentos – foi sucesso na voz de Manezinho Araújo. Depois vieram Penerô Xerém (outra parceria com Miguel Lima) e Cortando Pano (de Miguel Lima e Jeová Portela).

A partir de 1945, com início da parceria com o cearense Humberto Teixeira surgiram sucessos populares tendo como temática principal o ritmo nordestino com seus variados estilos, entre os quais o xaxado e o baião, este último gerou o título de uma das principais músicas da dupla, gravada em 1946 pelo grupo vocal cearense 4 Ases e 1 Coringa (grupo também responsável pelo lançamento do ritmo balanceio em 1945). Entre as principais parcerias de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira estão No Meu Pé de Serra, Juazeiro, Asa-Branca, Paraíba, Qui Nem Jiló, Assum Preto, entre outras. Desde então, compositores e alguns outros parceiros como Zé Dantas, Hervê Cordovil, David Nasser, Miguel Lima, Lourival Passos, João Silva e Patativa do Assaré colocaram na voz ímpar de Luiz Gonzaga sucessos imortais como Riacho do Navio, Dezessete e Setecentos, Vem Morena, A Triste Partida, Respeita Januário, A Vida do Viajante, nos mais variados ritmos.

Intérprete de sucessos imortais nos mais variados ritmos, muitos outros cantores gravaram Luiz Gonzaga a partir do início dos anos setenta, entre os quais Geraldo Vandré (Asa-Branca), Gilberto Gil (Vem Morena), Caetano Veloso (A Volta da Asa-Branca) e até o grego Demis Roussos (White Wings/Asa-Branca)

Essa afinidade com a nova geração musical brasileira – principalmente com os baianos – fez a gravadora RCA lançar em 1971 o disco ”O CANTO JOVEM DE LUIZ GONZAGA”, com músicas de Caetano Veloso, Edu Lobo, Geraldo Vandré, Gilberto Gil, Dori Caymmi. O elepê gerou em março de 1972 o show ”Luiz Gonzaga Volta Pra Curtir”, no Teatro Tereza Raquel, no Rio de Janeiro.

Embora sendo o terceiro artista mundial a receber o ”Cachorinho da RCA”, prêmio entregue anteriormente apenas para Elvis Presley e Nelson Gonçalves, e tenha cantado para presidentes como Eurico Gaspar Dutra e José Sarney e para o Papa João Paulo II, o verdadeiro reconhecimento do valor de sua obra veio ainda em 1984. Luiz Gonzaga foi o grande homenageado na noite da entrega do Prêmio Shell para os melhores da Música Popular Brasileira. Segundo a crítica especializada, um prêmio justo e merecido para quem, em muitos anos de carreira artística somente recebeu dois Discos de Ouro e em 1981, o mesmo ano em que a classe artística se reuniu para homenagear Luiz Gonzaga em um show promovido pelo Cebrade. Em 1985 Luiz Gonzaga foi premiado com o ”Nipper de Ouro” pelo conjunto de sua obra.

Um grande espetáculo na casa de shows Spazio, em Campina Grande, em outubro de 1988, marcou os cinqüenta anos de carreira artística do cantor e compositor pernambucano Luiz Gonzaga. Muitos artistas, na maioria nordestinos, participaram do evento, entre os quais Fagner, Elba Ramalho, Nando Cordel, Alcymar Monteiro, Capilé, Jorge de Altinho, Dominguinhos, Oswaldinho do Acordeon, Pedro Sertanejo, Zé Américo, Manassés, Borel, Valdomiro Moraes, Waldonys e o filho Gonzaguinha.

Andando de muletas e mesmo debilitado em virtude de uma operação para a retirada de água na pleura, o ”Rei do Baião” assistiu ao espetáculo e cantou, sentado numa poltrona alguns dos seus maiores sucessos.

No dia seis de junho de 1989, um espetáculo realizado no palco do Teatro Guararapes, em Recife, com a participação de discípulos fiéis como Alceu Valença, Marinês, Pinto do Acordeon, Gonzaguinha, Dominguinhos, Joquinha Gonzaga, Waldonys e Nando Cordel, selaria (embora ninguém esperasse) a carreira de um dos mais importantes músicos do País. Foi o último show do ”Rei do Baião”. Com a morte de ”Gonzagão”, o eterno Luiz ”Lua” Gonzaga, acontecida no dia dois de agosto de 1989, depois de 42 dias de internamento, no Hospital Santa Joana, em Recife, ficamos órfãos do maior sanfoneiro do Nordeste e o principal responsável pelo sucesso do forró genuíno no Sul do País ainda na metade da década de quarenta e início da década de cinqüenta, mudando definitivamente os caminhos da música popular, num tempo em que o rádio brasileiro era dominado pelos boleros, valsas e trilhas de musicais norte-americanos.

Raimundo Fagner participou de várias etapas importantes na vida de Luiz Gonzaga. Em 1984, juntos gravaram o álbum ”LUIZ GONZAGA & FAGNER”, resultado do sucesso de um pot-pourri registrado no disco ”DANADO DE BOM”, de Luiz Gonzaga, lançado no início do mesmo ano. Quatro anos depois o álbum ”GONZAGÃO & FAGNER VOL.2 – ABC DO SERTÃO” reuniu novamente os dois intérpretes em clássicos como Abc do Sertão e Juazeiro.

Mas Luiz Gonzaga faz parte da vida de Fagner há muito tempo. Gravou Último Pau-de-Arara e Riacho do Navio, nos primeiros discos. Em 1976, cantou ao lado dele no projeto Seis e Meia, no Teatro João Caetano, no Rio de janeiro.

Dois meses antes da morte de Luiz Gonzaga, a gravadora do compositor lançou o elepê ”FORRÓ DO GONZAGÃO” (1989, RCA, No. 130.0074) incluindo o pot-pourri com as músicas Respeita Januário/Riacho do Navio/Forró no Escuro, originalmente lançado em 1984, no disco ”DANADO DE BOM”, com a participação de Raimundo Fagner.

BIBLIOGRAFIA

• Luiz Gonzaga, o rei do baião – Sua vida, seus amigos, suas canções (José de Jesus Ferreira (Editora Ática, São Paulo, 1986)

• Eu Vou Contar Pra Vocês (Assis Ângelo, Ícone Editora, São Paulo,1990)

• Luiz Gonzaga – Vozes do Brasil (Editora Martin Claret, São Paulo, 1990)

• Vida de Viajante – A saga de Luiz Gonzaga (Dominique Dreyfus com prefácio de Gilberto Gil (Editora 34, São Paulo, 1996)

Luíz Gonzaga (fascículo e CD, série MPB Compositores, n° 20, Editora Globo, 1997)

Jackson do Pandeiro

(texto por Fernando Moura)

José Gomes Filho, o Jackson do Pandeiro, foi tão importante para a música brasileira quanto Luiz Gonzaga ou João do Vale. No país dos ritmos, é considerado o Rei do Ritmo. Com um estilo interpretativo inimitável – nunca repetia a mesma performance oral –, implantou uma escola musical, cujos seguidores assumidos têm tido o cuidado de preservar sua obra. Gilberto Gil, Alceu Valença, João Bosco, Djavan, entre outros, vêm mantendo acesa a chama do rico acervo deixado pelo mestre, falecido em 1982.

Clássicos do cancioneiro brasileiro como “Sebastiana”, “Chiclete com Banana”, “1 X 1” e “Forró em Limoeiro” – só para citar alguns dos mais conhecidos – povoam nosso universo musical com uma assiduidade renovada por regravações. O país ouve amiúde Jackson do Pandeiro, mas desconhece completamente José Gomes Filho.

Paraibano, semi-analfabeto e mulato, conseguiu superar as adversidades tendo como base unicamente seu talento especial com os ritmos, chegando a ser recordista de público e venda nas décadas de 50 e 60.

Uma febre jacksiniana tomou conta das rádios e tevês há 30 anos, embalados pelos forrós, sambas, cocos, frevos, rojões, maracatus e outros estilos, magistralmente massificados por um dos mais completos músicos brasileiros de todos os tempos.

Com mais de 400 canções gravadas, desde o bolachão de 78 rotações, morreu pobre e quase esquecido da mídia, gravadoras e produtores. Mesmo após sua morte, ainda não foi feita a devida justiça à sua genialidade.

João do Vale

(texto retirado de http://www.dicionariompb.com.br)

João Batista Vale nasceu em Pedreiras, no Maranhão, a 11/10/1933. Foi o quinto de oito irmãos, dos quais apenas três sobreviveram à infância pobre. Os pais eram agricultores pobres e sem terra. Por volta dos seis anos de idade foi apelidado de “Pé de xote”, pois vivia pulando e dançando. Um de seus avós fora trazido de Angola como escravo e posteriormente fugiu. Chegou a perder a vaga no Grupo Escolar Oscar Galvão para dar lugar ao filho de um coletor de impostos. Auxiliava nas despesas da casa, vendendo balas, doces e bolos que a mãe fazia. Com 12 anos mudou-se com a família para São Luís, onde trabalhou vendendo laranjas nas ruas. Nesse período participou do Noite Linda, um grupo de bumba-meu-boi, como fazedor de versos, o chamado “amo”. De 14 para 15 anos fugiu de casa, indo de trem para Teresina, onde conseguiu emprego como ajudante de caminhão. Fazia viagens entre Fortaleza e Teresina. Um dia viajou até Salvador e resolveu ficar por lá, por estar mais perto do Rio de Janeiro, para onde tencionava ir. Mais tarde foi para Minas Gerais, onde trabalhou como garimpeiro na cidade de Teófilo Otoni, onde obteve dinheiro para a sonhada viagem à então capital da República. Foi para o Rio de Janeiro de carona em caminhão e arranjou emprego de pedreiro em Copacabana, numa obra na Rua Barão de Ipanema. Trabalhava e dormia na obra, visitando periodicamente as rádios, principalmente a Nacional, à procura de artistas que gravassem suas composições. Mostrava suas músicas a muitos artistas, inclusive à cantora Marlene e a Tom Jobim, que naquela época tocava piano num inferninho em Copacabana.

Em 1953, teve a primeira composição gravada por Zé Gonzaga o baião “Madalena”, que fez muito sucesso no Nordeste. Por essa época, conheceu Luiz Vieira na Rádio Tupi, que gostou de seus versos e ajudou a desenvolver suas músicas, tendo convencido ainda a cantora Marlene a gravar o baião “Estrela miúda”, parceria de João do Vale e Luiz Vieira. Como o dinheiro recebido pelas primeiras gravações chegava a 200 mil-réis contra os 5 mil-réis que ganhava como pedreiro, abandonou a construção civil e resolveu dedicar-se à carreira artística. Surgiram outras gravações de composições suas. Em 1954, participou como figurante do filme “Mão sangrenta”, dirigido por Carlos Hugo Christensen. Nessa época fez amizade com o diretor Roberto Farias, para o qual faria posteriormente trilha sonora de alguns filmes, entre os quais “Mundo da lua”, de 1958. Em 1955, Luiz Vieira gravou o baião “O lenço da moça”, parceria dos dois. No ano seguinte, o mesmo Luiz Vieira gravou o baião “Forró do Furtuoso”, também de parceria dos dois. Em 1956, Dolores Duran gravou “Na asa do vento”, parceria com Luiz Vieira, que seria regravada por Caetano Veloso em 1975 no LP “Jóia”. Em 1957, Marlene gravou de sua parceria com Luiz Vieira o samba “Minha candeia”. No mesmo ano, Ivon Curi gravou “Pisa na fulô”, xote de parceria com Silveira Júnior e Ernesto Pires, que foi um dos discos mais vendidos da época. A mesma composição seria ainda gravada por Marinês e sua Gente e por Zé Gonzaga e seu Conjunto. Nesse período fez parceria não oficial com Luiz Gonzaga, pois pertenciam a editoras diferentes, e assim as composições da dupla, “Sertanejo do Norte”, “De Teresina a São Luís”, “Pra onde tu vai, baião?” e “Fogo no Paraná”, entre outras, apareceram como sendo parceria com Helena Gonzaga, esposa de Luiz Gonzaga. No início dos anos 1960, a convite do compositor e sambista Zé Kéti, foi se apresentar no bar Zicartola, na Rua da Carioca, comandado pelo compositor da Mangueira, Cartola, e sua mulher, D. Zica, onde se reuniam compositores, que cantavam e apresentavam suas músicas. A convite de Sérgio Cabral, passou a se apresentar no Zicartola toda sexta-feira. Por essa época começou a surgir a idéia de fazer o show “Opinião”. Recebeu convite de Oduvaldo Viana Filho, o Vianinha, para fazer a parte nordestina, com Zé Kéti comandando a parte de samba. A estréia do show aconteceu em 4 de dezembro de 1964, primeiramente com ele, Zé Keti e Nara Leão e posteriormente com Maria Bethânia, que eletrizou as platéias, interpretando “Carcará”, maior sucesso da carreira de sua carreira e verdadeiro hino contra a ditadura militar da época. O show foi apresentado ao longo de 1965 e 1966. Em 1965 gravou o baião “Minha história”, uma autobiografia. No mesmo ano lançou o LP “O poeta do povo”, trazendo inúmeras composições já conhecidas e lançando outras como “Pra mim não”, com Marília Bernardes, “O jangadeiro”, com Dulce Nunes, “O bom filho à casa torna”, com Eraldo Monteiro e Fogo no Paraná”, com Luiz Gonzaga. Em 1966, estrelou ao lado de Nélson Cavaquinho e Moreira da Silva o show “A voz do povo”. Em 1969, fez a trilha sonora do filme “Meu nome é Lampião”, direção de Mizael Silveira. Ainda nos anos 1960 foi aos Estados Unidos a convite do professor Earl W. Thomaz, para falar a professores de Português a respeito das expressões sertanejas que usava em suas músicas. Em 1970, Tim Maia gravou e fez bastante sucesso com “Coronel Antônio Bento”, parceria com Luiz Vanderley. Em 1973, lançou com Paulinho Guimarães “Se eu tivesse o meu mundo”. Em 1974 Gilberto Gil gravou no LP “Expresso 2222”, a música “O canto da ema”, numa interpretação marcante. Em 1975, participou de nova montagem do show “Opinião”, com Zé Kéti e Marília Medalha, com direção de Bibi Ferreira. Em 1976 apresentou o show “E agora João?”. Em 1978 passou a apresentar o “Forró forrado”, que por dez anos marcou época na música popular brasileira. Entre 1979 e 1980, chegou a percorrer 40 cidades, realizando shows ao lado de Zé Ramalho. Ainda em 1980 participou ao lado de Chico Buarque e outros artistas, do Projeto Calunga, que realizou inúmeras apresentacões em Angola. Em 1981, Chico Buarque organizou o disco “João do Vale convida”, com a participação de Nara Leão, Tom Jobim, Gonzaguinha e Zé Ramalho, entre outros, cujo lançamento ocorreu no Forró Forrado. No mesmo ano participou de excursão à Cuba. Em 1982, gravou disco ao lado de Chico Buarque. Em 1985 participou com Carlinhos Vergueiro do show inaugural do Projeto Pixinguinha, seis e meia na Sala Adoniran Barbosa em São Paulo. Em 1986 participou ao lado de Maria Bethânia, Zé Kéti, Suzana de Moraes e Marília Medalha no Teatro Carlos Gomes do espetáculo de rememoração da montagem do show “Opinião”. Em 1991 gravou depoimento para o Museu da Imagem e do Som. Em 1992 foi homenageado com um show no Teatro da Praia Grande em São Luiz. Em 1994, Chico Buarque voltou a produzir disco de João do Vale, intitulado “João Batista do Vale”, que recebeu no ano seguinte o Prêmio Sharp de Melhor Disco Regional. O disco contou com a aprtcipação de diversos artistas interpretando músicas de sua autoria, entre os quais o próprio Chico Buarque, que interpretou “Minha história”, Fagner, “Na asa do vento”, “Alceu Valença, “De Terezina a São Luiz” e Paulinho da Viola, “A voz do povo”. No mesmo ano foi homenagedo pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro com amedalha Pedro Ernesto. Deixou mais de 300 composições gravadas por diversos artistas, entre os quais Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Nara Leão, Maria Bethânia, Tim Maia, Ivon Curi e Alaíde Costa. Em 2000, Marcio Paschoal lançou pela Editora Lumiar o livro “Pisa na fulô, mas não maltrata o carcará”, uma biografia do artista.

Em 2004, foi homenageado pela Prefeitura de Nova Iguaçu que criou o selo Nova Iguaçu Discos e produziu o CD “Carcarás da Cidade – Um tributo a João do Vale” no qual 15 composições do artista maranhense que morou por mais de 20 anos na cidade, foram interpretados por artistas locais, entre as quias, “Avisa minha nega”, por Jairo Bráulio; “O canto da ema”, por Ilton Manhães; “Uricuri (Segredo do sertanejo)”, por Carine Mascarenhas; “Carcará”, pelo Grupo Elemento e “Peba na pimenta”, por Heitor Neguinho. Em 2006, por ocasião do décimo aniversário de sua morte, o compositor foi homenageado com o musical “João do Vale, o poeta do povo”, apresentado em temporada no teatro Glauce Rocha, no Rio de Janeiro, com texto e direção de Maria Helena Kuhner. O espetáculo mostrou enredo baseado na biografia do compositor escrita por Márcio Paschoal e contou com os atores Deucledes Gouvêa, Rubens de Araújo e Marcê Porena. Após a temporada no Glauce Rocha, o espetáculo rumou para o Teatro Sesi, de Nova Iguaçu (RJ), cidade em que morou o compositor. Em seguida, teve duas apresentações especiais, em dias seguidos, no Teatro Baden Powel, em Copacabana, no Rio de Janeiro, com casa lotada. O sucesso do musical “João do Vale, o poeta do Povo” gerou a formação do grupo “Os Carcarás”, que teve seu núcleo montado pelos músicos que nele tocaram, com especial dedicação a interpretação de obras do compositor maranhense. Na formação do grupo, os músicos: Marcos Aureh com: Voz, flautas, gaita, violão (6 e 12) e bandolim; Léo Rugero com: Violino, viola caipira, bandolim, violão e vocal; Max Robert com: contrabaixo; Paulinho Baqueta com Pandeiro e triângulo e Cacau Amaral com: Zabumba, tambores, percussões e vocal. O grupo também conta com os cantores/atores Deuclides Gouvêa e Mercê Porena e, dirigido pela dramaturga e pesquisadora Maria Helena Künner, apresentou, em dezembro de 2006, o show conceitural, “Na Asa do Vento”, em comemoração a mais um ano do nascimento de João do Vale, mostrando o melhor do repertório do compositor, entre as quais, clássicos como “Carcará”, “Pisa na fulô”, “Cel Antônio Bento”, “Na asa do vento” (que deu nome ao show) e “Canto da Ema”, e mais outras quase desconhecidas, como “Passarinho”, “Fogo do Paraná” e “O bom filho a casa volta”. A banda, além da tradicional utilização do triângulo e da zabumba – acrescenta, em sua performance do espetáculo “Na asa do vento”, variados instrumentos, como o violino, a flauta transversa, a flauta doce sopranino, o pífano, o violão de 12 e 6 cordas, a viola caipira, a gaita de boca, o bumbo leguero, o tambô de crioula e o pandeirão – toda essa gama sonora, valorizada ainda mais pelos arranjos originais. A criativa música de João do Vale é vestida no show com uma nova roupagem, que trás características do movimento armorial nordestino com pinceladas de música de câmera. O musical, apresentado no Clube de Engenharia, situado à Avenida Rio Branco, no centro do Rio de Janeiro, teve roteiro, direção musical e arranjos, assinados por Marcos Aureh e contou apresentação do pesquisador Sérgio Cabral.

João do Vale faleceu em 6/12/1996 em São Luís, Maranhão

Marinês

(texto retirado de http://www.dicionariompb.com.br)

Nascida no sertãso pernambucano, seu pai, filho de índios Ariús, era seresteiro e a mãe foi cantora de igreja. A família mudou-se para Campina Grande. Lá tomou os primeiros contatos com a música do “Rei do baão”, Luiz Gonzaga, pelos auto-falantes da cidade. Aos 10 anos de idade começou a participar de programas de calouros, tendo chegado a competir num deles, com o também ainda menino Genival Lacerda. Foi casada com o sanfoneiro e produtor Abdias, com quem se casou aos 14 anos.

Depois de premiada com um sabonete numa retreta de rua, espécie de concurso de calouros ao ar livre, no bairro da Liberdade, onde morava, resolveu inscrever-se num programa de calouros na rádio local e, para fugir da vigilância dos pais, acrescentou o Maria ao seu nome. Ao ser anunciada no concurso, o locutor acabou por chamá-la de Marinês, e ela, gostando, adotou o nome artístico. Em 1949 formou com o marido Abdias o Casal da Alegria. Em seguida, o casal juntou-se ao zabumbeiro Cacau e formou um trio. Esse trio, no começo dos anos 50, passou a atuar como a Patrulha de Choque do Rei do Baião, especializada em realizar apresentacões nas praças das cidades onde Luiz Gonzaga iria tocar, interpretando músicas do seu repertório, anunciando sua chegada nas cidades do interior do Nordeste, num trabalho feito espontaneamente. Seu encontro com o Rei do Baião deu-se na cidade de Propriá, em Sergipe, apresentados pelo prefeito da cidade, Pedro Chaves. Na mesma noite do dia em que se conheceram, fizeram um show juntos.

Com o apoio de Luiz Gonzaga, que lhe ensinou o xaxado, a carreira de Marinês ganhou impulso, sendo então batizada de “A Rainha do Xaxado”.

Gravou seu primeiro disco em 1956, lançado no ano seguinte pela Sinter, apresentando-se como Marinês e sua Gente. Gravou na ocasião, a quadrilha “Quadrilha é bom”, de Zé Dantas e o xaxado “Quero ver xaxar”, de João do Vale, Antonio Correia e Leopoldo Silveira Junior. Em 1957, gravou dois grandes sucessos, os xotes “Peba na pimenta”, de João do Vale, José Batista e Adelino Rivera e “Pisa na fulô”, de João do Vale, Ernesto Pires e Silveira Jr., que foram posteriormente regravados por inúmeros artistas. No mesmo ano, lançou o xaxado “Xaxado da Paraíba”, de Reinaldo Costa e Juvenal Lopes e o xote “O arraiá do Tibiri”, de João do Vale e Silveira Jr. Ainda nessa época, a convite de Luiz Gonzaga, foram para o Rio de Janeiro, onde se apresentaram no programa “Caleidoscópio”, na Rádio Tupi. Em 1958, gravou, de Rosil Cavalcânti, os baiões “Aquarela nordestina” e “Saudade de Campina Grande”. Gravou ainda, de Gordurinha e Wilson de Morais, o baião “Perigo de morte”. No mesmo ano participou do filme “Rico ri à toa”, de Roberto Faria. Em 1959, gravou de Antônio Barros e Silveira Jr. o baião “Velho ditado” e o xote “Marieta”. Em 1960, gravou da mesma dupla o baião “Mais um pau-de-arara” e o xote “Balanço da saudade”. No mesmo ano, transferiu-se para a RCA Victor, onde lançou, de Reinaldo Costa e Juvenal Lopes, o xote “Viúva nova” e, de Onildo Almeida, o xaxado “História de Lampeão”. Gravou ainda, de Zé Dantas e Joaquim Lima, a polca “Chegou São João”. No mesmo ano recebeu o troféu Euterpe, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, como a melhor cantora regional. Em 1961, gravou os cocos “Gírias do Norte”, de Jacinto Silva e Onildo Almeida e “Cadê o Peba”, de Zé Dantas. No mesmo ano, gravou a moda de roda “Marinheiro”, de motivo popular com arranjos de Onildo Almeida e o coco de roda “No terreiro da Usina”, de Zé Dantas. Gravou ainda o LP “Outra vez Marinês”, que lhe rendeu um segundo troféu Euterpe, além de ter obtido o prêmio de melhor vendagem. Em 1962, gravou, de Onildo Almeida, as modas de roda “Siriri, sirirá” e “Meu beija-flor”. No mesmo ano, gravou de João do Vale e José Batista o xote “Xote de Pirira” e de João do Vale e Oscar Moss o coco “Gavião”. Em 1963, gravou as modas de roda “Balanceio da usina”, de Abdias Filho e João do Vale, e “Pisei no liro”, de Juvenal Lopes. No mesmo ano, gravou, de João do Vale e B. de Aquino, o xote “Xote melubico” e o baião “Macaco véio”. Em 1984 apresentou-se em diversos shows em teatros da periferia do Rio de Janeiro dentro do projeto Pixinguinha, além de fazer participações especiais em discos do conjunto The Fevers e de Zé Ramalho. Em 1986, lançou o LP “Marinês e sua Gente – Tô chegando”, com a participação especial de Gilberto Gil, Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Jorge de Altinho. Com Luiz Gonzaga, interpretou “Tá virando emprego”, de Luiz Gonzaga e João Silva; com Dominguinhos, “Agarradinho”, de Michael Sullivan e Paulo Massadas; com Gilberto Gil, “Doida por uma folia”, do próprio Gil e “Quatro cravos”, de Jarbas Mariz e Cátia de França, e com Jorge de Altinho, “Jeito manhoso”, de Nando Cordel. Em 1987, gravou pela RCA Victor o LP “Balaio de paixão”, interpretando, entre outras, as composições “Tô doida pra provar do teu amor”, de Nando Cordel, “Fulô da goiabeira”, de Anastácia e Liane, “Novinho no leite”, de Nando Cordel e “Feitiço”, de Jorge de Altinho. Em 1988 estreou na Continental com o disco “Feito com amor”, onde regravou sucessos dedicados à festas juninas. Recebeu discos de ouro com “A dama do Nordeste” e “Bate coração”. Gravou diversas músicas consideradas apimentadas e que mexeram com a moral da época, como “Peba na pimenta” e “Pisa na fulô”, de João do Vale, “Cadarço de sapato”, “Xote da Pipira” e “Viúva nova”, entre outras. Devido a essas gravações, chegou a ter problemas com os meios católicos do país, tendo ocorrido casos de padres que durante as missas pediam aos fiéis para não comprarem seus discos, como foi o caso de “Peba na pimenta”.

Com a separação do marido e produtor Abdias, ficou alguns anos sem gravar; ainda sim, lançou cerca de 30 discos, entre 78 rpm, LPs e CDs. Dentre os seus LPs, estão “Nordeste valente”, “Balaiando” e “Cantando pra valer”. Em 1995, lançou o CD “Marinês cidadã do mundo”. Ainda nos anos 1990, participou do disco de forró lançado por Raimundo Fagner. Em 1998, com produção da cantora Elba Ramalho, lançou pela BMG o CD “Marinês e sua Gente”, contando com a participação de importantes nomes da Música Popular Brasileira contemporânea, quase todos do Nordeste. Uma das faixas de destaque é o dueto com Alceu Valença em “Pelas ruas que andei”, do cantor e compositor pernambucano. O disco foi uma homenagem de Elba e outros artistas àquela que considerada mestra. No mesmo ano, a Copacabana/EMI lançou uma coletânea de seus sucessos remasterizados na série “Raízes Nordestinas”.

Foi a primeira mulher a formar um grupo de forró. Em 2000 teve CD lançado pela BMG dentro da série “Eu só quero um forró”, no qual contou com as participações especiais de Gilberto Gil na música “Quatro cravos” e Alceu Valença em “Pelas ruas que andei”. Em 2003 lançou o CD “Cantando com o coração”, produzido por seu filho Marcos Farias, que divide com a cantora a direção, além de também fazer os arranjos de acordeons, baixo, zabumba, paneiro e triângulo. O disco conta também com a participação da nora de Marinês, Sheilami, na seleção do repertório e no backvocal, e do outro filho da “rainha do xaxado”, Celso Othon, fazendo jus ao nome com que gosta de ser refrenciada: “Marinês e sua gente”. Vale citar, do repertório, entre outras, “Eu vi sim” de Dominguinhos e Anastácia, ” Forró Verdadeiro” , “Tareco e Mariola”, de Petrúcio Amorim e “Te dou um doce” de Nano Cordel.

Em 2004, fez apresentações no Rio de Janeiro com o grupo Marinês e sua Gente destacando-se a apresentação no Centro de Tradições Nordestinas de São Cristóvão, onde teve acompanhamento de “sua gente” e também do caqntor e rabequeiro Beto Brito.

Em 2005, lançou o disco-homenagem “Marinês canta a Paraíba”, produzido por Noaldo Ribeiro, com patrocínio do governo do Estado, onde a cantora iniciou a carreira artística. O CD que tem a participação da Orquestra Sinfônica da Paraíba em cinco músicas: “Saudade de Campina Grande”; “Aquarela nordestina”; “Meu Cariri”; Sublime torrão” e “Campina, minha campina”, vem acompanhado de um libreto de 52 páginas e de um CD com imagens e depoimentos de Paulinho da Viola, Tetê Espíndola e do ministro-cantor Gilberto Gil. Deixando mais de 40 discos gravados e tendo sido precursora dos grandes movimentos do forró, inclusive na formação da formação de grupos do gênero, sofreu um acidente vascular cerebral no dia 5 de maio de 2007, vindo a falecer dez dias depois. Seu corpo foi sepultado em Campina Grande, onde a cantora iniciou a carreira. Sua morte causou consternação no universo do forró, tendo o Ministro da Cultura Gilberto Gil divulgado nota lamentando o fato: “O Brasil perdeu hoje sua rainha do forró, a primeira grande cantora nordestina que aparece nos anos 50, inaugurando um ciclo de ouro da voz feminina na música do nordeste”.

Dominguinhos

(texto retirado de http://www.dicionariompb.com.br)

Seu pai, mestre Chicão, foi um famoso tocador e afinador de foles de oito baixos. Começou a tocar sanfona aos seis anos de idade, juntamente com mais dois irmãos, em feiras livres e portas de hotéis do interior de Pernambuco. Com oito anos de idade, conheceu Luiz Gonzaga na porta de um hotel em que este se apresentava com o trio “Os Três Pinguins”, formado por ele e mais dois irmãos. Luiz Gonzaga acabou se tornando o seu padrinho artístico. Em 1954, mudou-se para o Rio de Janeiro, indo morar com o pai e com o irmão mais velho no município de Nilópolis, na Baixada Fluminense. Nesta ocasião, recebeu do padrinho Luiz Gonzaga uma sanfona de presente.

Seu nome artístico foi uma sugestão de Luiz Gonzaga, que considerou que o apelido de infância, Neném, não o ajudaria na trajetória artística. Com a sanfona ganha do próprio Gonzagão, passou a percorrer o interior do Rio de Janeiro na companhia dos irmãos,apresentando-se em circos e arrasta-pés.

Em 1957, aos 16 anos, fez sua primeira gravação, tocando sanfona num disco de Luiz Gonzaga, na música “Moça de feira”, de Armando Nunes e J.Portela. No mesmo ano, em viagem ao Espírito Santo, com Borborema e Miudinho, formou um trio, batizado de Trio Nordestino. Tomou contato com outros ritmos musicais e aprendeu a tocar samba e bolero. Voltou ao Rio de Janeiro e formou um conjunto que passou a atuar em dancings, boates e inferninhos nas zonas da malandragem. Tocou na gafieira Cedo Feita, Churrascaria Gaúcha, boate Babalaica e Dancing Brasil. Ainda na década de 1960, tocou no regional do Canhoto juntamente com Meira, Dino e Orlando Silveira acompanhando artistas de Rádio. Em 1965, foi convidado por Pedro Sertanejo, então diretor da recém-inaugurada gravadora Cantagalo, para gravar um LP destinado ao público migrante nordestino e, com isso, voltou a tocar forrós e baiões. Em 1967, fez parte de uma excursão de Luiz Gonzaga ao Nordeste, como sanfoneiro e motorista. Também fazia parte do grupo a cantora pernambucana Anastácia. Os dois iniciaram então uma carreira artística conjunta e um relacionamento amoroso, que os levou ao casamento. Observado pelo empresário Guilherme Araújo tocando num show de Luiz Gonzaga, em 1972, foi convidado por ele a trabalhar com Gal Costa e Gilberto Gil. Viajou para a França com Gal, acompanhando a cantora baiana em apresentação no Midem, em Cannes. De retorno ao Brasil, participou do show “Índia”, da mesma cantora. Posteriormente, trabalhou um ano e meio com Gilberto Gil que  gravou o maior sucesso de Dominguinhos, em parceria com Anastácia, “Eu só quero um xodó”, que conheceria em pouco tempo cerca de 20 regravações, inclusive algumas no exterior. Participou como instrumentista de inúmeros shows de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa e Maria Bethânia.

Participou do primeiro disco gravado por Elba Ramalho, “Ave de Prata”, dem 1979. Em 1980, participou do II Festival Internacional de Jazz de São Paulo. Em 1981, participou, com destaque, do programa “Som Brasil”, na TV Globo. Na década de 1980, suas composições “De volta pro meu aconchego”, em parceria com Nando Cordel, gravada por Elba Ramalho, e “Isso aqui tá bom demais”, em parceria com Chico Buarque, e gravada pelos dois, foram incluídas na novela “Roque Santeiro”, da TV Globo, o que fez aumentar nacionalmente sua popularidade. Em 1984, o cantor e compositor Chico Buarque gravou em seu disco “Chico Buarque” a composição “Tantas palavras”, parceria de Chico e Dominguinhos, que obteve grande sucesso. Em 1985, a composição “Esse mato, essa terra”, composta em parceria com a cantora, sua esposa, Maria de Guadalupe, foi incluída na trilha sonora do filme “Aventuras de um paraíba”, de Marco Altenberg. Em 1993 criou o Projeto Asa Branca, com patrocínio da Caixa Econômica Federal, destinado a levar shows de música popular para praças públicas de diversos estados brasileiros. Em 1997, lançou o CD “Dominguinhos e convidados cantam Luiz Gonzaga”, pela gravadora Velas. No mesmo ano, compôs a trilha sonora do filme “O cangaceiro”, de Anibal Massaini Neto. Teve suas composições registradas por diferentes intérpretes, entre os quais Fagner, que gravou “Quem me levará sou eu” e Maria Betânia, que gravou “Lamento sertanejo”. Em 1999 lançou pela gravadora Velas o seu 41º disco, “Você vai ver o que é bom”, no qual interpreta, entre outras: “O riacho do imbuzêro”, letra inédita de Zé Dantas, dada a Dominguinhos pela viúva do compositor pernambucano; “Quem era tu”, parceria com Nando Cordel, que faz uma homenagem bem-humorada aos grupos “É o tchan” e “Terra samba”; e “Prece a Luiz”, em parceria com Climério, uma homenagem a Luiz Gonzaga nos 10 anos de sua morte. Em 50 anos de carreira recebeu seis prêmios Sharp. Em 2000 lançou o 54º trabalho, gravado ao vivo durante dois shows no Sesc Pompéia, em São Paulo, com destaque para “De volta pro meu aconchego”, “Gostoso demais”, ambos de sua autoria, “Abri a porta” e “Forró do Dominguinhos”, em parceria com Gilberto Gil, e “Isso aqui tá bom demais”, parceria com Chico Buarque. O CD foi lançado com um show na casa de espetáculos Olimpo, no Rio de Janeiro. Em seguida fez shows em São Paulo e realizou turnê pelo Nordeste.

Em 2001 foi o grande homenageado no 11º Festival de Inverno de Garanhuns, sua cidade natal, com um concerto sinfônico. No mesmo ano, participou do Primeiro Festival de Sanfona do Maranhão juntamente com Waldonys, Sivuca, Renato Borghetti, o argentino Antonio Tarragô e os norte- americanos Geno Delafose e Mingo Saldival. Em 2002, teve participação especial, com seu acordeom, no CD “Sertão”, lançado por Gereba, em comemoração aos 100 anos do lançamento do livro “Os Sertões”, de Euclides da Cunha. No início de 2003, gravou com Sivuca e Oswaldinho do Acordeom um disco que registrou o encontro de três dos maiores sanfoneiros em atividade no país, produzido por José Milton, com repertório escolhido na hora e arranjos feitos no próprio estúdio, no qual aparecem composições como “Maria Fulô” e “Feira de Mangaio”, de Sivuca, além de muitas de autoria de Luiz Gonzaga, resultando numa homenagem natural ao Rei do baião. Ainda nesse ano, participou na Fundição Progresso, Rio de Janeiro do show comemorativo dos 45 anos do Trio Nordestino. Em 2004, apresentou-se fazendo dupla com Elba Ramalho, em temporada de shows no Canecão, RJ. O repertório contou com sucessos de carreira da cantora e do compositor como “De volta para o aconchego”, parceria de Dominguinhos com Nando Cordel,  além de levar ao palco surpresas como a composição “Xote da navegação”, de Dominguinhos e Chico Buarque. No mesmo ano, o cantor e compositor Targino Gondim gravou a sua música “Xote do Coice”, no CD “Targino Gondim – ao vivo”. Em 2005, a cantora Elba Ramalho lançou um CD que registrou a temporada de show no Canecão com o sanfoneiro, revivendo grandes obras deste que foram grandes sucessos em sua interpretação. No CD, Elba que afirma ser Dominguinhos um dos maiores músicos do mundo, respaldada por muitos artistas como Gilberto Gil e Chico Buarque, além do maestro Hélio Sena, revive, entre outros, o clássico de sua carreira “De volta para o aconchego”. Apenas uma canção “Chama”, não é de autoria do sanfoneiro, sendo atenção de Elba a Tato, vocalista do grupo Falamansa.

Nesse mesmo ano, participou, como atração consagrada, nos festejos juninos do circuito tradicional nesses eventos, que engloba cidades nordestinas como Caruaru, Campina Grande e Recife. Em 2006, após cinco anos sem lançar disco solo, lançou o CD “Conterrâneos”, com repertório que mescla inéditas, como “Vivendo a Brincar”, “Cai Fora”, “Oi que Balanço Bom” e regravações como “Acácia Amarela”, parceria de Luiz Gonzaga com Orlando Silveira.  A toada “Carece de Explicação”, com Clodo Ferreira, “Tempo Menino”,  o côco “Gavião Peneirador”, com Marcos Barreto e “Feito Mandacaru”. A faixa-título, “Conterrâneos”, conta com a participação da cantora Guadalupe. O disco, que  traz capa de Elifas Andreato, conta também com a participação do sanfoneiro Waldonis, na quadrilha “Eita Paraíba”, de Chico Anísio e Sarah Benchimol. O disco lhe conferiu o prêmio- 2007, na categoria Regional – Melhor cantor. Também em 2007, a gravadora Biscoito Fino lançou o CD “Yamandu+Dominguinhos”, em que  os dois instrumentistas tocam num dueto de violão e sanfona. No disco cada um tocou sem prender-se ao estilo do outro, resultando em um repertório bem diversificado que inclíu, entre outras, os choros “Perigoso”, “Chorando baixinho” e “Pedacinho do céu”, além das nordestinas “Feira de mangaio”, “Xote miudinho” e “Asa branca”, além das sulistas “Bagualito”, “Prenda minha” e, ainda, “Estrada do sol” e “Wave”. Na ocasião do show de entrega dos prêmios, apresentou oito números em duetos. Em maio do mesmo ano, Em 2008, foi o grande homenageado no Prêmio Multishow. Na ocasião do show de entrega dos prêmios, apresentou-se em duetos, em oito números. No mesmo ano, apresentou-se com Alceu Valença na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro no projeto “Pé no mundo”, interpretando seus sucessos. Em 2009, gravou, no maior teatro ao ar livre do mundo, o Nova Jerusalém, em Pernambuco, o DVD “Dominguinhos ao vivo”, que contou com as participações especiais de Elba Ramalho, Renato teixeira, Liv moraes, Waldonys, Cezinha, Guadalupe e Jorge de Altinho.

Em março de 2010, participou do programa “Emoções Sertanejas”, da Rede Globo de Televisão, interpretando, com Paula Fernandes a música “Caminhoneiro”, versão de Roberto e Erasmo Carlos, para canção de John Hartford. O programa teve como objetivo homenagear o cantor e compositor Roberto Carlos e recebeu como convidados, em um mega-show, no ginásio do Ibirapuera em São Paulo, grandes nomes da música sertaneja como Almir Sater, Bruno & Marrone, César Menotti & Fabiano, Chitãozinho & Xororó, Daniel, Elba Ramalho, Gian & Giovani, Leonardo, Martinha, Milionário & José Rico, Nalva Aguiar, Paula Fernandes, Rio Negro & Solimões, Roberta Miranda, Sérgio Reis, Victor & Léo e Zezé di Camargo & Luciano. Ainda em 2010, a gravadora Biscoito Fino lançou o CD Lado B – Dominguinhos e  Yamandú Costa, trazendo um dueto entre os dois músicos. O repertório do disco apresenta as seguintes faixas: Da cor do pecado (Bororó); Noites sergipanas (Dominguinhos); Fuga pro Nordeste (Dominguinhos); Doce de coco (Jacob do Bandolim e Hermínio Bello de Carvalho); Homenagem a Chiquinho (Dominguinhos e Guadalupe); Naquele tempo (Pixinguinha); Sanfona de cordel (domínio público); Homenagem a Pixinguinha (Dominguinhos e Anastácia); Choro do gago (Yamandu Costa); Chorando em Passo Fundo (Dominguinhos); Carioquinha (Waldir Azevedo); Felicidade (Lupicínio Rodrigues); Pau de arara (Luiz Gonzaga); Rancho Fundo (Ary Barroso e Lamartine Babo); Solamente uma vez (Agustin Lara). Ainda em 2010, foi contemplado com o prêmio Shell de Música, pelo conjunto de sua obra. No mesmo ano, lançou o DVD “Iluminado Dominguinhos”, um projeto que contou com o apoio do Ministério da Cultura. Do álbum, participaram especialmente os artistas Elba Ramalho, Wagner Tiso, Gilberto Gil, Yamandu Costa, Waldonys e Gilson Perazzeta. No fim desse mesmo ano, participou  e foi o homenageado principal do 2º Festival Internacional da Sanfona, realizado em Juazeiro (BA). Apresentou-se no mesmo dia com Laudiston Bagagi, Sexteto Pernambucano de Acordeon, Renato Borghetti e Cezinha.

Hermeto Pascoal

(texto retirado de http://www.samba-choro.com.br)

No dia 22 de junho de 1936 nasceu Hermeto Pascoal, compositor, multi-instrumentista e grande contador de histórias, no pequeno município de Lagoa da Canoa em Alagoas. Filho de roceiros, escapou do trabalho na enxada por ser albino e não poder ficar exposto ao sol.

O próprio Hermeto conta que quando criança, na escola, os professores davam trabalhos para construir instrumentos com latas de goiabada. E de uma lata de goiabada ele fez um “violãozinho”. Essa foi sua primeira criação.

Seu primeiro parceiro musical foi o irmão mais velho José Neto, tocando nos bailes de “pé-de-pau”, realizados ao ar livre, sob as árvores, comuns naquela época. Além disso, os dois irmãos mostravam seu talento em batizados e casamentos, suando um bocado enquanto andavam, às vezes um dia inteiro para chegar até o local da festa. Em 1950 a família mudou-se para Recife, onde Hermeto e José Neto começaram a tocar acordeão nas rádios Tamandaré e Jornal do Commércio. Seu primeiro instrumento foi uma sanfona de 8 baixos.

Um ano mais tarde, Hermeto já se destacava como acordeonista e começava suas experimentações musicais, sempre estudando e pesquisando novos sons. Autodidata, uma caraterística que marca esse gênio da musica, valia-se dos mais diversos artefatos, como foices, enxadas, machados e garrafas, batendo em ferros e tentando repetir os sons no acordeão.

Em 58 foi para a Paraíba, tocar na Rádio Tabajara, em João Pessoa, como integrante da Orquestra do Maestro Gomes. Passou pouco tempo na Paraíba e nesse mesmo ano mudou-se para o Rio de Janeiro, levado pelo seu irmão, José Neto, para tocar na Rádio Mauá.

No Rio começou a se interessar pelo piano, na própria Rádio Mauá. Hermeto chegava com horas de antecedência para estudar e sentir as teclas. Mas foi tocando nas boates do Rio que se tornou realmente um pianista. Com isso mudou-se para São Paulo e tornou-se o pianista da Boate Chicote, em 61.

Em 1962, após deixar seu lugar no piano da Boate La Vie en Rose, Hermeto entrou para o Som Quatro. Dois anos depois formou o Sambrasa Trio (com Claiber, no baixo, e Airto Moreira, na bateria). Ainda em 64 foi tocar piano na Boate Stardust e começou seu interesse pela flauta. Para praticar o instrumento, Hermeto se trancava no banheiro da boate ou ia para a Igreja da Consolação durante o intervalo das apresentações, chegando a dominar o instrumento em apenas um mês. Logo recebeu um convite do cantor Walter Santos para participara da gravação do seu LP Caminho,lançado em 65, como flautista.

No ano seguinte, entrou para o Trio Novo (Théo de Barros, Airto Moreira e Heraldo), que se transformou em Quarteto Novo. Esse grupo foi um marco na história da música instrumental brasileira. Em 1967 o quarteto lançou seu único disco, Quarteto Novo, pela Odeon, que, segundo a crítica, foi uma valiosa experiência musical com ritmos nordestinos. Esta experiência musical consistia em aplicar as sofisticadas harmonias de jazz aos riquíssimos rimtos nacionais. Aí encontra-se a primeira música de Hermeto a ser gravada: O Ovo. Em 69 o grupo se desfez e Hermeto passou a tocar com Edu Lobo. O próprio Heraldo do Monte relata que “esse Albino é muito louco!”.

Já Airto Moreira foi para os Estados Unidos, integrar a banda de Miles Davis. Nada mais óbvio que ele, Hermeto, fosse para os EUA como arranjador de um disco de Airto. Nesta viagem conheceu Miles Davis e logo gravou com o músico americano, que colocou o carinhoso apelido de “Albino Crazy”. Nesse LP, Miles Davis Live, o pistonista incluiu duas músicas de autoria de Hermeto: Igrejinha e Nenhum Talvez. A participação do grande músico brasileiro com o mestre do trompete consagrou mais ainda o nome Hermeto Paschoal.

Em 71 Airto Moreira incluiu em um dos seus discos, Gaio de Roseira, música com arranjo de Hermeto, composta por seu pai. A crítica inglesa colocou a música entre as melhores do ano, dando início ao reconhecimento da obra do músico no exterior. Ainda nesse ano gravou o disco solo Hermeto, lançado pela Buddah Records, já se utilizando de instrumentos inusitados e experimentações nas melodias.

Em 73, lançou o primeiro disco no Brasil, A Música Livre de Hermeto Pascoal, incluindo músicas de grandes artistas brasileiros como Pixinguinha (com a faixa Carinhoso) e Luiz Gonzaga (Asa Branca), além de gravar também Gaio de Roseira. Nesse disco também, está gravado “Bebê”, um baião que todo instrumentista brasileiro quer ou tem a honra de tocar.

1977 foi o ano em que Hermeto foi ao EUA gravar um dos seus discos mais famosos, o Slave Mass (Missa dos Escravos). Este disco é considerado um marco na música instrumental, também lançado no Brasil e aplaudido pela crítica.

Participou do Festival de Jazz de São Paulo no final de 78 e logo no início de 79 gravou o disco Zabumbê-Bum-á, na WEA. Uma curiosidade foi a participação dos pais de Hermeto nos vocais, em duas faixas.

Os anos 80 foram de muitas viagens e excurssões para Hermeto. Em parte devido ao seu contrato com a gravadora Som da Gente. Neste período, sua carreira se consolidou no exterior. Também se encontrava num período de grande produção e lançamento de discos.

Em 80 ele gravou Cérebro Magnético e neste mesmo ano, apresentou-se no Festival de Montreux, na Suíça. Dois anos mais tarde participou do Festival Horizonte, em Berlim.

Em 1982, Hermeto lançou o disco Hermeto Pascoal & Grupo, grupo este que ficou conhecido mundialmente e permaneceu junto por mais de um década. Em 1984 o grupo lança Lagoa da Canoa Município de Arapiraca, cujo título homenageia a cidade natal de Hermeto.

1985 é lançado Brasil Universo, pela gravadora Som da Gente.

Em 1987 lançou Só Não Toca Quem Não Quer e em 1988 seu último disco lançado nessa década, Por Diferentes Caminhos: Piano Acústico, onde Hermeto tocou sozinho.

Ainda teve um disco não lançado, produzido na década de 80, chamado Mundo Verde Esperança.

A década e 90 foi marcada por seu rompimento com as grandes gravadoras. Seu disco de 92, Festa dos Deuses, lançado pela PolyGram, segundo o próprio Hermeto foi mal distribuído e não repassaram os direitos autorais da obra.

Depois disso, Hermeto passou sete anos sem lançar discos. Neste tempo, ele se dedicou a compor, inclusive criou o projeto “Calendário do Som”, onde Hermeto compôs um chorinho para cada dia do ano.

O disco Eu e Eles, de 99, marca a volta de Hermeto ao mercado fonográfico. Gravado pelo selo Rádio Mec, o disco foi aplaudido pela crítica, e traz o músico tocando todos os instrumentos, convencionais e os que ele mesmo inventa.

O atual projeto de Hermeto é o “Contagem Regressiva”, que consiste na criação de uma música por dia até a virada do milênio, podendo se estender além desta data.

O grupo de Hermeto Pachoal sempre traz grandes talentos. A grande característica é que todos, além dos ensaios, estudam juntos.

Fonte: Programa “Retrato do Artista” da Radio Unesp de Bauru – 1995 e http://www.hermetopascoal.com.br

Sivuca

(texto retirado de http://www.wikipedia.org)

Severino Dias de Oliveira, mais conhecido como Sivuca, (Itabaiana, 26 de maio de 1930 – João Pessoa, 14 de dezembro de 2006) foi um dos maiores artistas do século XX, responsável por revelar a amplitude e a diversidade da sanfona nordestina no cenário mundial da música. Exímio executante da sanfona, multi-instrumentista, maestro, arranjador, compositor, orquestrador e cantor.

Sivuca contribuiu significativamente para o enriquecimento da música brasileira, ao revelar a universalidade da música nordestina e a nordestinidade da música universal. É reconhecido mundialmente por seu trabalho. Suas composições e trabalhos incluem, dentre outros ritmos, choros, frevos, forrós, baião, música clássica, blues, jazz, entre muitos outros.

Ganhou a sanfona de presente do pai em 13 de junho de 1939, num dia de Santo Antônio, aos nove anos. A partir daí, a inseparável companheira o levaria para mundos desconhecidos. Aos quinze anos, ingressou na Rádio Clube de Pernambuco, no Recife. Em 1948, fez parte do cast da Rádio Jornal do Commercio.

Em 1951, gravou o primeiro disco em 78 rotações, pela Continental, com “Carioquinha do Flamengo” (Waldir Azevedo, Bonfiglio de Oliveira) e “Tico-Tico no Fubá” (Zequinha de Abreu). Nesse mesmo ano, lançou o primeiro sucesso nacional, em parceira com Humberto Teixeira, , “Adeus, Maria Fulô” (que foi regravado numa versão psicodélica pelos Mutantes, nos anos 60).

A partir de 1955, foi morar no Rio de Janeiro. Após apresentações na Europa como acordeonista dum grupo chamado Os Brasileiros, chegou a morar em Lisboa e Paris, a partir de 1959. Foi considerado o melhor instrumentista de 1962 pela imprensa parisiense. Gravou o disco “Samba Nouvelle Vague” (Barclay), com vários sucessos de bossa-nova.

Morou em Nova Iorque de 1964 a 1976, onde, entre outros trabalhos, foi autor do arranjo do grande sucesso “Pata Pata”, de Miriam Makeba, com quem então excursionou pelo mundo até o fim da década de 60. Compôs trilhas para os filmes Os Trapalhões na Serra Pelada (1982) e Os Vagabundos Trapalhões (1982).

Um dos discos mais emblemáticos da carreira do artista é o “Sivuca Sinfônico” (Biscoito Fino, 2006), em que ele toca ao lado da Orquestra Sinfônica do Recife sete arranjos orquestrais de sua autoria, um registro inédito, único e completo de sua obra erudita. As composições sinfônicas de Sivuca são absolutamente singulares na música erudita brasileira, porque o artista inseriu a sanfona como o instrumento principal de sua obra.

Em 2006 o músico lançou o DVD “Sivuca – O Poeta do Som”, que contou com a participação de 160 músicos convidados. Foram gravadas 13 faixas, além de duas reproduzidas em parceria com a Orquestra Sinfônica da Paraíba.

Faleceu em 14 de dezembro de 2006, depois de dois dias internado para tratamento de um câncer, que já o acometia desde 2004. Sivuca deixa uma filha, Flávia, que atualmente está levantando o acervo do pai, e mais três netos, Lirah, Lívia e Pedro, e viúva, a cantora e compositora Glorinha Gadelha.

Guinga

(texto retirado de http://www.ejazz.com.br)

Nascido no Rio de Janeiro em 10 de junho de 1950, o compositor e violonista Guinga (Carlos Althier de Souza Lemos Escobar) iniciou seus estudos de violão aos 13 anos de idade, de forma autodidata, tendo influências de um vizinho, o violonista e guitarrista Hélio Delmiro. Mais tarde, estudou com o professor Jodacil Damasceno. Formou-se em Odontologia em 1975, profissão que exerce paralelamente à sua carreira musical.

Começou a compor aos 16 anos, classificando sua primeira composição no II Festival Internacional da Canção (FIC), em 1967. Gravou pela primeira vez como violonista, acompanhando o compositor Cartola, na canção “As rosas não falam”. Trabalhou, ainda, com vários outros artistas como Clara Nunes, Beth Carvalho, Alaíde Costa e João Nogueira, entre outros.

Suas primeiras músicas gravadas foram “Conversa com o coração” e “Maldição de Ravel”, ambas em parceria com Paulo César Pinheiro, pelo quarteto vocal MPB-4, em 1973. Constam, também, da relação dos intérpretes de suas canções, artistas como Michel Legrand, Sérgio Mendes, Leila Pinheiro, Chico Buarque, Clara Nunes, Ivan Lins e Nó em Pingo D’água, entre outros.

Elis Regina gravou, em dueto com Cauby Peixoto, sua parceria com Paulo César Pinheiro intitulada “Bolero de Satã”, no disco “Essa mulher”, lançado pela Warner em 1989. Turíbio Santos gravou cinco peças instrumentais de sua autoria no disco “Fantasias Brasileiras”. Guinga estreou no palco em 1989, no show realizado no bar “Vou vivendo”, em São Paulo, ao lado de Ithamara Koorax e Paulo César Pinheiro.

Em 1991, gravou seu primeiro disco solo, o CD “Simples e absurdo”. Dois anos depois, lançou o CD “Delírio carioca”. Ainda nesse ano, participou do Festival Brasiliana, em Madri, na Espanha.

Em 1996, lançou o CD “Cheio de dedos”, contemplado com o Prêmio Sharp, nas categorias de Melhor Disco Instrumental, Melhor Música Instrumental (“Dá o pé, loro”) e Melhor Produção (produtor Paulinho Albuquerque).

Nesse mesmo ano, Leila Pinheiro lançou o CD “Catavento e girassol” (EMI-Odeon), contendo exclusivamente músicas de sua parceria com Aldir Blanc. Por este trabalho, ganhou mais um Prêmio Sharp, com a canção “Chá de panela”, na categoria Melhor Música Popular Brasileira.

Ainda em 1996, voltou a Madri, onde realizou temporada de shows no Café Central. Participou do Festival Internacional de Guitarra, em Córdoba, na Argentina, nesse mesmo ano, e do Festival Braziliana-Jazz House, em Copenhague, na Dinamarca, em 1997.

Em 1999, gravou o CD “Suíte Leopoldina”, tributo à sua adolescência, fase em que costumava viajar em trens de subúrbio. O disco, que contou com a participação do gaitista e guitarrista belga Toots Thielemans, Chico Buarque, Nei Lopes, Alceu Valença, Ivan Lins, Ed Motta e Lenine, foi apontado por unanimidade pelos críticos do jornal O Globo como o melhor CD de música popular brasileira de 1999. No ano seguinte, o trabalho foi lançado no mercado norte-americano.

Dando continuidade a “Suíte Leopoldina”, Guinga lançou em 2001 o CD “Cine Baronesa”, basicamente instrumental – uma homenagem ao cinema que costumava freqüentar na adolescência. Ainda nesse ano, realizou show de lançamento do disco no circuito Sesc Rio. Também em 2001, apresentou-se no Projeto Violões, realizado no Espaço Baden Powell, no Rio de Janeiro.

Em 2002, realizou show na Sala Funarte Sidney Miller, no Rio, acompanhado do clarinetista Paulo Sérgio Santos e pelo guitarrista Lula Galvão. Lançou em 2003 o CD “Noturno Copacabana”. Em 2004, lançou no Umbria Jazz Festival, na Itália, o CD “Graffiando vento”, ao lado do clarinetista Gabrielle Mirabassi.

Vem recebendo, ao longo da sua trajetória, vários elogios por parte da imprensa e dos artistas em geral. Em artigo para o jornal O Estado de S. Paulo, o crítico Mauro Dias escreveu: “Guinga – sobre o qual é necessário sempre repetir que se trata do maior compositor da atualidade”. João Máximo, crítico do jornal O Globo, publicou: “Guinga é o melhor compositor surgido no Brasil nos últimos 20 anos”.

Antônio Barros e Cecéu

(texto retirado de http://www.antoniobarrosececeu.com)

Quando Antonio Barros e Cecéu se encontraram em 1971, desde então formaram uma parceria no trabalho musical e no amor. Passaram a compor juntos e se tornaram um casal de sucesso. Levantando a bandeira de uma forte expressão artística no companheirismo do dia-a-dia, essa dupla se transformou num paradigma da cultura popular brasileira, pois nesse decorrer são mais de setecentas obras gravadas pela maioria dos intérpretes brasileiros, alcançando popularidade até no exterior onde também suas músicas foram gravadas na Itália, Espanha, Portugal e Israel.

Homem Com H, Por Debaixo Dos Panos, Bate Boração, como também as famosas Procurando Tu, Casamento Da Maria, Sou O Estopim, Amor Com Café, Forró Do Poeirão, Forró Do Xenhenhém, Óia Eu Aqui De Novo; são algumas das canções que fazem parte do acervo de músicas autorais dessa dupla e gravadas por expressivos nomes da MPB como Ney Matogrosso, Elba Ramalho, Dominguinhos, Gilberto Gil, Alcione, Ivete Sangalo, Fagner, Gal Costa, MPB-4 e os saudosos Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga e Marinês.

Esses artistas consagrados que fazem parte da realidade e da história da música, conseguiram romper a regionalidade sem perder o sotaque. Na capital paulista, onde residem desde 1995, o casal apresenta seus shows com classe e charme através de seus inúmeros sucessos. “A história e a música de Antonio Barros e Cecéu se mantém sempre em atividade, exemplo disso é encontrar regravações e releituras de nossas músicas feitas por uma nova geração de artistas, não somente de artistas regionais, mas muitas vezes de artistas pops e DJs de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais que constantemente estão cultivando a nossa obra.” (Disse Antonio Barros).

ANTONIO BARROS SILVA “Antonio Barros”

Nasceu em 11 de Março de 1930 na pequena cidade de Queimadas na Paraíba. Filho de Severino Barros da Silva e Luiza Rodrigues da Silva, estudou no Grupo Escolar José Tavares e a maior parte de sua infância foi vivenciada na zona rural. Quando sobrava tempo para brincar, costumava pegar uma lata vazia de 20 litros, colocava a cabeça dentro, batia do lado de fora com as duas mãos, fazendo ritmo, enquanto cantava para ouvir sua própria voz com efeito reverberado.

Aos dezenove anos de idade foi trabalhar como músico tocando pandeiro na rádio Caturité em Campina Grande-PB. Aos vinte anos, mais ou menos, foi para Recife-PE e na rádio Tamandaré deu continuidade ao seu trabalho como músico pandeirista. Foi nessa mesma época que escreveu sua primeira música e conheceu Jackson do Pandeiro, o qual se tornou um grande amigo do artista, apoiando-o na vida profissional.

A partir daí começou a gravar suas primeiras canções profissionalmente com Jackson do Pandeiro, Genival Lacerda e Zito Borborema. Logo depois foi para o Rio de Janeiro e desenvolveu ainda mais seu ambiente no meio musical, onde passou a gravar também com Luiz Gonzaga, Marinês, Trio Nordestino e tantos outros.

MARY MACIEL RIBEIRO “Cecéu” 

Nasceu em 02 de Abril de 1950 na cidade de Campina Grande, na Paraíba. Filha de Severino Lourenço Ribeiro e Maria Maciel Ribeiro, estudou no colégio São Vicente de Paulo, bem próximo de sua casa no bairro do Catolé. Costumava ir à escola cantarolando várias músicas que gostava de ouvir no rádio às tardes enquanto trabalhava na mercearia de secos e molhados de seu pai.

“Mariêta ta, Mariêta ta, Mariêta ta, entalada com cajá…”, essa era uma das músicas que gostava de cantar, nem sabia que era uma composição de Antonio Barros que mais tarde viria a ser seu companheiro na vida e na profissão. Nem mesmo sabia que viria seguir a carreira musical.

No entanto durante toda sua infância e adolescência sempre apreciou a arte musical, acompanhava as notícias e as canções de seus artistas favoritos como Dalva de Oliveira, Ângela Maria, Demônios da Garôa, entre outros. Assim, influenciada pelo romantismo dominante dessa época, até passou a escrever algumas músicas, e só mais tarde, ao se tornar Cecéu foi que começou sua carreira profissional ao lado do companheiro e marido Antonio Barros.

Gordurinha

(texto retirado de http://www.samba-choro.com.br)

 Fossem os curiosos tentar adivinhar-lhe o físico pelo apelido e Gordurinha seria até hoje mais um enigma na história da música popular brasileira. Magro na juventude, Waldeck Artur de Macêdo, nascido no bairro da Saúde, em Salvador, no dia 10 de agosto de 1922, ganhou seu apelido em 1938, quando já trabalhava na Rádio Sociedade da Bahia.

Do seu repúdio à colonização americana, epitomizada pela goma sde mascar nasceu o bebop-samba, Chiclete com Banana , em parceria com Almira Castilho, que acabou por pronunciar o tropicalismo ao sugerir antropofagicamente na letra: “só boto o bebop no meu samba quando o Tio Sam pegar no tamborim, quando ele entender que o samba não é rumba””.

Ele mesmo chegou a gravar, como que a tirar um sarro um rock entitulado ‘Tô doido para ficar maluco’.

Mas não foi só de glória e reconhecimento tardio a vida deste que, ao lado do Trio Nordestino, iria se transformar no baluarte do forró na Bahia. Sua estréia no mundo da música se deu em 1938, quando fez parte do conjunto vocal “Caídos do céu” que se apresentava na Rádio Sociedade da Bahia, fazendo logo depois par cômico com o compositor Dulphe Cruz. Logo se destacou pelo seu dom de humorista e pelo sarcasmo que iria ser disseminado em suas letras anos mais tarde.

Em 1942, cansado de tentar conciliar estudo e sessões de rádio, tomou a decisão se debateu com um dilema conhecido de muitos: medicina ou carreira artistica? Como seus discípulos Zé Ramalho e Fred Dantas, Gordurinha caiu fora desse estória de clinicar. Largou a Faculdade de Medicina e seguiu sua sina de cigarra.

Os passos iniciais seriam dados numa Companhia Teatral. Caiu na estrada, mambembeando e povoando de música e pantomimas outras plagas.

Seu próximo passo seria um contrato na Rádio Jornal de Comércio, em Recife, em 1951. Depois, o jovem compositor, humorista e intérprete Gordurinha passaria pela rádio Tamandaré onde conheceu o poeta Ascenso Ferreira, figura folclórica do recife, Jackson do Pandeiro e Genival Lacerda Estes dois últimos gravariam em primeira mão várias das suas composições

Em 1952 partiu para o Rio de Janeiro onde penou sofrendo gozações preconceituosas. Sublimando estes pormenores, conseguiu trabalhar nos programas Varandão da Casa Grande, na Rádio Nacional, e Café sem Concerto as Radios Tupi e Nacional, duas das maiores do país, sempre fazendo tipos humorísticos. Ficou neste circuito até que almejou um sonho que já alimentava desde os magros dias do Recife; um contrato no mais importante mídia do Brasil na época: a Rádio Nacional.

‘Meu enxoval’, um samba-coco em parceria com Jackson do Pandeiro seria um dos carros chefes do dis-co ‘forró do Jackson’, de 61. Outro que se daria bem com uma composição do baiano seria o forrozeiro paraense Ary Lobo (mais um dos artistas que o Brasil insiste em esquecer) que prenunciou o Mangue beat ao cantar:

‘Caranguejo-uçá, caranguejo-uçá/ A apanho ele na lama/ E boto no meu caçuá/ Caranguejo bem gordo é gaiamum/ Cada corda de 10 eu dou mais um.

‘Vendedor de caranguejo’ seria gravado por Clara Nunes, em 74, e por Gilberto Gil no seu ‘Quanta’, de 1997.

Gordurinha seria homenageado na década de 70 com Gilberto Gil, que regravou ‘Chiclete com Banana’ e ‘Vendedor de Caranguejo’ no Quanta. O cantor carioca Jards Macalé, também o homenageria com a regravação de ‘Orora Analfabeta’, no seu 2º LP, ‘Aprendendo a nadar’, de 1974. Elba Ramalho, que em entrevista à revista Showbizz , elogiou sua divisão de versos, se rendeu ao talento do mestre ao dar sua versão de ‘Pau-De-Arara é a Vovozinha’, no seu CD Flor da Paraíba, de 1998.

A última homenagem recebida foi o lançamento do CD ‘A Confraria do Gordurinha’, em rememoração aos 30 anos sem o artista. Contando com participação de Gilberto Gil, Confraria da Basófia e Marta Millani. e texto do pesquisador Roberto Torres, o CD têm 14 faixas e foi lançado em 1999.

Ary Lobo 

(texto retirado de http://www.dicionariompb.com.br e http://mulambada.blogspot.com)

Nascido em 1930 no Pará, Ary Lobo iniciou sua carreira de músico se apresentando em programas de calouro na Rádio Clube do Pará, quando ainda era soldado. Fazia parte do conjunto Namorados Tropicais.

Por influência do compositor Pires Cavalcanti, foi para o Rio de Janeiro a fim de prosseguir a carreira artística. Por intermédio do compositor e pianista Gadé, apresentou-se na Rádio Mauá. Em 1958 gravou o primeiro disco, pela RCA, interpretando o batuque “Sentilena do mar”, de Alventino Cavancânti e Hilton Simões e o rojão “Forró do cabo Gato”, de Babosa da Silva e José Pereira. No ano seguinte gravou os cocos “Paulo Afonso” e “Pedido a Padre Cícero”, de Gordurinha e o rojão “O criador”, de Edgar Ferreira.

Em 1960 gravou, de Elias Ramos e Severino Ramos, o coco “A mulher que vendia siri”. Gravou também no mesmo ano a primeira composição de sua autoria, o rojão “Eu vou prá lua”, parceria com Luiz de França. No ano seguinte gravou “Coco decente” da dupla Miguel Lima e João Silva. Em 1962 compôs em parceria com Jacinto Silva o rojão “Moça de hoje”, gravado no mesmo disco em que registrou o bolero “Pedido a São Jorge”, de Ari Monteiro.

No ano seguinte gravou “Quem encosta em Deus não cai”, toada de João do Vale, José Ferreira e Ari Monteiro e o arrasta-pé “Mané Cazuza”, de Rosil Cavalcânti.

Em 1964 gravou LP que popularizou dois de seus grandes sucessos como cantor, “O último pau-de-arara”, de Venâncio, Corumba e J. Guimarães e “Vendedor de carangueijo”, de Gordurinha. Dois anos depois compôs com Luiz Boquinha “Quem é o campeão”, faixa título do LP que lançou na RCA Victor naquele mesmo ano. Em 2000 sua composição “Eu vou pra lua” foi regravada por Zé Ramalho no CD “Nação nordestina”.

Contemporâneo e amigo de Jackson do Pandeiro, fizeram shows juntos. Apesar de citado em músicas de Alceu Valença e tendo alguns sucessos regravados por Zé Ramalho, parece que o artista ainda é desconhecido por muitos e infelizmente esquecido por outros. O cantor Lenine tem também projetos para gravar um cd em homenagem a Ary. Cincinato, do grupo Quaderna, que gravou um cd com as músicas do cantor, diz que Ary Lobo é a maior contribuição que a Amazônia deu à música nordestina. Ary morreu no Rio de Janeiro em 1980.

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